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    Mãe condenada por matar bebê encontrado em escaninho é solta, em Aparecida de Goiânia

    Decisão em caráter liminar afirma que ela tem direito de aguardar recurso em liberdade. Márcia Zaccarelli foi condenada a 18 anos de prisão pela morta da filha recém-nascida.

    A professora Márcia Zacarelli, condenada a 18 anos de prisão pela morte da filha recém-nascida que teve o corpo escondido por cinco anos no escaninho, foi solta do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. Segundo o advogado dela, Paulo Roberto Borges da Silva, a soltura ocorreu no fim da noite de quarta-feira (19). A informação foi confirmada pela Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP).

    A liberação da presa ocorreu após decisão liminar – em caráter de urgência – dada pelo desembargador Edison Miguel da Silva Júnior, da 2ª Câmara Criminal de Goiânia. Na movimentação do habeas corpus solicitado pela defesa da professora na última segunda-feira (17), o alvará de soltura dela consta como “Entregue”.

    Conforme a liminar, o magistrado entende que não há “dados sólidos a justificar a segregação provisória”. Além disso, ele afirma ainda que “a paciente respondeu em liberdade à ação penal, tendo-lhe sido concedido o direito de permanecer assim até o julgamento do recurso de apelação”.

    Liminar determina soltura de Márcia Zaccarelli — Foto: Reprodução/TJ-GO

    Condenação

    Márcia Zaccarelli foi condenada no último dia 1º de agosto a 18 anos e 8 meses de prisão pela morte da filha e foi absolvida da acusação de esconder o corpo da bebê no escaninho do prédio durante cinco anos.

    A mulher chegou a ser presa, em agosto de 2016, quando o ex-marido encontrou o corpo do bebê, e, após ser detida, confessou em vídeo que a matou e escondeu o cadáver no local, versão mudada por ela no dia do julgamento. Ela ficou 51 dias presa e, há dois anos, respondia ao caso em liberdade.

    Após a condenação, no último dia 3 de setembro, a professora foi presa novamente em seu apartamento na capital e levada à Casa de Prisão Provisória (CPP), em Aparecida de Goiânia, onde ficou até a noite desta quarta-feira.

    Na decisão que determinava a prisão de Márcia, o juiz Jesseir Coelho de Alcântara entendeu que a condenada, mesmo estando em liberdade, “não providenciou enterro digno aos restos mortais de sua filha”, que estão há mais de dois anos no Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia, mesmo ” com longo prazo” para isso.

    Além disso, conforme Alcântara, a defesa de Márcia, apesar de intimada, não se manifestou sobre o sepultamento da vítima.

    “Isso considerou um desrespeito à determinação judicial e um ato protelatório também. Esse direito que é concedido a um condenado [de recorrer em liberdade] não significa que ele pode fazer tudo que bem entender, não”, disse o juiz.

    Márcia Zaccarelli presta depoimento durante julgamento, em Goiânia — Foto: Vitor Santana/G1

    Depoimento

    A ré deu à luz uma menina no dia 15 de março de 2011. A filha foi fruto de um relacionamento extra-conjugal com um colega de trabalho. O marido de Márcia não podia ter filhos por já ter feito vasectomia. Quando ela começou a sentir contrações, ela ligou para um amigo que a levou para o hospital. Esse amigo ainda deu R$ 3 mil para que a professora fizesse o parto cesárea.

    Durante o julgamento, Márcia disse que a bebê era fruto de uma relação extraconjugal que ela havia tido. Ela afirmou que tanto o marido, quanto o amante, sabiam da gravidez, mas nenhum deles queria assumir a filha e haviam pedido para ela praticar aborto. A professora se recusou a fazer o aborto.

    Segundo Márcia, quando ela entrou em trabalho de parto, o marido disse para ela “sumir e dar um jeito” na criança. A mulher contou que era mal tratada pelo ex-companheiro e que o homem só denunciou o caso à polícia para que, no processo de separação, ela não tivesse acesso aos bens do casaL.

    “Eu não queria matar minha filha. A ideia de colocar no escaninho foi dele, que não queria se desfazer da prova, porque era uma forma dele me manter com ele”, disse a mulher.

    Márcia Zaccarelli chora durante julgamento em Goiânia, Goiás — Foto: Vitor Santana/G1

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    Um vídeo feito pela Polícia Civil mostra o depoimento da professora após a prisão. Na gravação, ela deu detalhes de como cometeu o crime e diz que não queria fazer mal à criança. No entanto, descreveu como asfixiou o bebê.

    “Na rua, andando, eu não sabia mais o que fazer. Ela começou a chorar. Estava começando a chover. Eu olhava para ela, depois ela dormiu de novo [respira fundo]. Apertei o narizinho dela”, disse na ocasião.

    No registro, a mulher chora por diversas vezes. Quando deixou a maternidade com a filha nos braços, a mulher contou que pegou um táxi e parou em uma praça “sem saber o que fazer”.

    Nesse momento, alegou que não tinha intenção de matar a filha, mas diz que ficou com “medo”.

    Logo em seguida, a mulher afirmou que tem consciência do que fez, mas que é uma boa pessoa. “Eu sei que feri alguém, mas o senhor pode me perguntar, sou uma excelente mãe e sempre fui”, comentou.

    Fonte/Portal Ternura

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