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    Manifesto pede que demissão de professor da UFG de Jataí acusado de estuprar aluna seja revista

    Documento ironiza denúncia de abuso sexual e considera iniciativa do professor como “deslize extraconjugal”. Segundo a carta, UFG realizou análise unilateral; instituição não irá se manifestar

    De acordo matéria do Portal de noticias Mais Goiás, um texto intitulado “Manifestação de apoio ao professor Rogério Elias Rabelo”, com data desta segunda-feira (16), está circulando em caixas de e-mail e grupos de whatsapp de docentes da Universidade Federal de Goiás (UFG). O documento, que faz referência à “injusta” demissão do mencionado professor – acusado de estuprar uma aluna da Medicina Veterinária de Jataí, em 2016 –, apresenta requerimento para que o processo gerador do desligamento, ocorrido na última quinta-feira (12), seja revisto pela própria universidade, bem como pela Procuradoria-Geral da União (PGU).

    Apesar de possuir uma construção de pedido formal, o texto é assinado unicamente pela “Frente de Apoio ao professor Dr. Rogério Elias Rabelo” e não identifica pessoas ligadas ao suposto movimento que considera, nas quatro páginas do arquivo, o apontado estupro como “deslize extraconjugal”. “Não há como justificar o deslize extraconjugal cometido pelo docente que descumpriu seus deveres conjugais para com sua esposa e sua família. No entanto, não cabe a esta esfera pública avaliar e penalizar o docente por tal conduta (sic)”, conforme expõe trecho do manifesto.

    Dessa forma, a “frente de apoio” ainda defende que o caso, que também recebeu atenção do Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO), tratou-se de um episódio amoroso consentido entre professor e aluna. A carta também ironiza a denúncia feita pela estudante, a qual revela que o estupro ocorreu em um apartamento onde estavam oito pessoas, incluindo os envolvidos. Neste contexto, o abuso sexual investigado é tratado pelo documento como “noitada”, sugerindo a participação voluntária de ambos em uma relação sexual. “Oito pessoas pernoitaram literalmente juntas em uma quitinete, mais especificamente, em uma mesma sala da pequena quitinete (sic)”.

    Também consta no texto que o professor, nos 380 dias de processo, foi alvo de outras denúncias “infundadas”, como a de roubo de gado da UFG, uso de espaço público para realização de cursos particulares e não cumprimento da dedicação exclusiva determinada em contrato. Clique para ter acesso à íntegra do manifesto. 

    O docente, segundo a carta, também foi acusado de obrigar alunos a adquirirem livros de sua autoria e de cometer assédio sexual contra três alunas da Medicina Veterinária, as quais seriam amigas da principal denunciante. “[São] denúncias infundadas e sem nenhuma prova, simplesmente por mera crueldade, perseguição, inveja e irresponsabilidade (sic)”.

    Acusada de fazer uma análise unilateral, a UFG afirmou em nota, que não irá se pronunciar sobre o assunto. “A Universidade Federal de Goiás informa que não irá se manifestar, uma vez que a Reitoria da instituição já adotou o relatório da Comissão de Processo Administrativo Disciplinar e acatou o parecer da Procuradoria Jurídica que resultou na portaria n.º 3.729  de demissão de Rogério Elias Rabelo”.

    Este portal tentou novo contato com o professor, mas as ligações não foram completadas. O Mais Goiás também dialogou com a assessoria da Procuradoria-Geral da União, em Brasília, que não deu retorno até o fechamento desta matéria. Este veículo também realizou, sem sucesso, tentativas de identificar responsáveis pela carta.

    O procurador Jorge Medeiros, que ajuizou Inquérito Civil Público para apurar omissão da UFG no caso de estupro contra a estudante, falou com o Mais Goiás, mas também não quis comentar a carta. “Posso dizer apenas que o MPF se manifesta nos autos e eles incluem um conjunto probatório formado por áudios, mensagens de aplicativo e provas testemunhais que conferem solidez e robustez ao demonstrar a autoria do fato e materialidade do crime, os quais ensejaram a propositura da ação penal em 2017”.

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